X-MEN 97 — O Que deu de errado na 2ª Temporada?

X-MEN 97 — O Que deu de errado na  2ª Temporada?

Margila Marques

A segunda temporada de X-MEN 97, tinha tudo para repetir o sucesso da primeira , mas algumas escolhas de roteiro e desenvolvimento dos personagens acabaram dividindo os fãs. Entenda os trés principais problemas da temporada.

Após o imenso sucesso de X-MEN 97, em março de 2024, o anúncio de uma segunda temporada era praticamente inevitável. A animação conquistou tanto os fãs nostálgicos quanto um público mais jovem que, apesar de conhecer o grupo de heróis — provavelmente o mais popular entre o grande público —, ainda não havia tido contato com aquela animação que já era tão amada pelos fãs dos anos 90.

A série retornou exatamente de onde havia parado em 1996. Daí surgiu o nome, talvez pouco criativo, X-MEN 97, mas extremamente eficiente como chamariz para seu público-alvo. E o objetivo foi alcançado: chamar a atenção daqueles que, nos anos 90, viram um de seus desenhos animados favoritos simplesmente desaparecer, sem continuação, sem explicação e, principalmente, sem um final.

A nostalgia, aliada a um bom roteiro e a uma animação moderna, foi o estopim para um fenômeno. A internet foi inundada por teorias, elogios e pela esperança de que a Disney/Marvel finalmente tivesse encontrado uma maneira de adaptar para as telas as histórias dos mutantes — não apenas de um personagem, mas do grupo mais importante dos X-Men.

Será?

Toda essa introdução se faz necessária para entender o que o futuro nos trouxe com X-MEN 97 — 2ª temporada.

A segunda temporada, tão aguardada pelo público, começou bem. A história dava continuidade direta ao final da temporada anterior, com nosso grupo de heróis dividido e perdido entre passado e futuro. E havia ainda algo que aumentava ainda mais as expectativas: a origem de um dos seus principais vilões, Apocalipse, além da visão de um futuro no qual ele surge como governante supremo, no auge de seu poder.

Diante de uma premissa como essa, é difícil entender como a série conseguiu se perder tanto e deixar de entregar justamente aquilo que o público mais queria ver: um confronto épico entre os X-Men e Apocalipse.

É a partir daí que chegamos aos três principais problemas que fizeram uma série tão aclamada, tão aguardada e praticamente uma unanimidade em sua estreia se transformar em motivo de críticas, divisões e discussões entre seus espectadores.

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1. Desenvolvimento do roteiro

Como dito anteriormente, o roteiro começa bem. Porém, depois do episódio 4, intitulado “A Ascensão do Apocalipse — Parte 2”, no qual acompanhamos a morte de Magneto, a narrativa parece perder completamente o rumo.

Os episódios passam a transmitir a sensação de serem fillers: desconexos e sem avanço significativo no enredo principal, que acaba deixado em segundo plano.

O tema central sai do foco, e passamos a acompanhar jornadas isoladas, muitas vezes sem contexto e que não convergem de maneira satisfatória com a história que vinha sendo construída.

Um exemplo disso é o episódio em que Wolverine recupera o adamantium, intitulado “Arma X, Mentiras e DVDs”.

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A scene from Marvel’s X-MEN ’97 Season 2, exclusively on Disney+. Photo courtesy of Marvel. © 2026 Marvel. All Rights Reserved.

O roteiro é tão acelerado que não nos permite sentir ou absorver as consequências dos acontecimentos da temporada passada — ou mesmo dos eventos da atual. Tudo parece acontecer rápido demais.

O resultado é um roteiro forçado, repleto de inconsistências narrativas e que, em determinados momentos, parece desrespeitar ou simplesmente não compreender seus próprios personagens e os valores que os construíram.

E isso nos leva ao segundo problema.

2. Desenvolvimento dos personagens

No episódio de Wolverine, por exemplo, não acompanhamos adequadamente a jornada que leva o personagem à decisão de recuperar o adamantium.

Como ele chegou àquele ponto?

Por que antigos companheiros e até mesmo inimigos decidem se reunir para ajudar Logan?

São perguntas importantes que ficam sem respostas.

A decisão de Wolverine talvez merecesse um arco inteiro, algo que a animação poderia não ter tempo suficiente para desenvolver naquele momento, mas que poderia ser trabalhado posteriormente.

Nas HQs, esse processo é construído ao longo de muito tempo. São anos de desenvolvimento, consequências, sofrimento físico e mental e aprendizado para o personagem.

Infelizmente, nada disso é devidamente explorado na animação.

Na pressa de adaptar cerca de seis anos da saga Atrações Fatais — de 1993 a 1999 —, a história acaba ficando rasa, vazia e descontextualizada.

Direitos do autor: Marvel

E esse é justamente o problema.

O público não esperava apenas ver acontecimentos importantes das HQs reproduzidos na tela. Esperava compreender os personagens, suas escolhas e as consequências dessas escolhas.

O público esperava — e merecia — mais do que um episódio mal adaptado de um dos personagens mais importantes da Marvel Comics.

3. Falta de conexão com seu público

O primeiro impacto da nostalgia passou.

E o que sobrou?

Expectativa. Esperança. Hype.

É justamente isso que deveria manter a conexão do público com X-MEN 97 — 2ª temporada: a vontade de ver seus quadrinhos adaptados com qualidade, de forma respeitosa e interessante.

Porém, não foi isso que aconteceu.

Os fãs não perdoaram algumas das escolhas feitas pelos roteiristas. E, após a saída de Beau DeMayo, roteirista principal e showrunner da primeira temporada, demitido após polêmicas, a nova equipe não conseguiu dar continuidade ao trabalho com a mesma coerência percebida anteriormente.

DeMayo. Photo: Alberto E. Rodriguez

O problema não está simplesmente em mudar ou adaptar determinadas histórias. O público aceita mudanças quando elas fazem sentido dentro da narrativa.

O que parece ter se perdido foi justamente essa conexão entre as escolhas dos roteiristas, os personagens e as expectativas construídas pela primeira temporada.

X-MEN 97 ainda é um sucesso.

Mas agora surge uma nova questão: qual será o futuro da série?

Conseguirão os novos produtores e roteiristas recuperar a confiança do público?

Depois de uma primeira temporada que conseguiu reacender a paixão de uma geração e conquistar uma nova, a segunda temporada deixa justamente essa pergunta no ar.

Está lançada a pergunta.